MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.807-5, DE 17 DE JUNHO DE 1999 - DOU DE 18/06/99
Altera a legislação das Contribuições para a Seguridade Social - COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e sobre o lucro líquido, do Imposto sobre a Renda, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da
atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida
Provisória, com força de lei:
Art. 1º
Art. 1º A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999.
Art. 2º
Art. 2º O art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 6o e 7o:
"§ 6º Na determinação
da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas
jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das
exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou
deduzir:
I - no caso de bancos
comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas
econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de
crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito:
a) despesas
incorridas nas operações de intermediação financeira;
b) despesas de
obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de
direito privado;
c) deságio na
colocação de títulos;
d) perdas com títulos
de renda fixa e variável, exceto com ações;
e) perdas com ativos
financeiros e mercadorias, em operações de hedge;
II - no caso de
empresas de seguros privados, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras
destinadas à garantia de provisões técnicas, durante o período de cobertura do
risco;
III - no caso de
entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos
nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de
aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates;
IV - no caso de
empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras
destinadas ao pagamento de resgate de títulos.
§ 7º As exclusões
previstas nos incisos II a IV do parágrafo anterior restringem-se aos
rendimentos de aplicações financeiras que não excedam o total das provisões
técnicas, constituídas na forma fixada pela Superintendência de Seguros
Privados - SUSEP." (NR)
Art. 3º
Art. 3º O § 1o do art. 1o da Lei no 9.701, de 17 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação:
"§ 1º É vedada a
dedução de qualquer despesa administrativa." (NR)
Art. 4º
Art. 4º O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplica-se, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel.
Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1o de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos.
Art. 5º
Art. 5º O importador de gasolina automotiva e óleo diesel, relativamente às vendas desses produtos que efetuar, fica obrigado a cobrar e recolher, na condição de contribuinte substituto das distribuidoras e comerciantes varejistas, as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, observadas as mesmas normas aplicáveis às refinarias nacionais.
Art. 6º
Art. 6º A contribuição social sobre o lucro líquido - CSLL, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de maio até 31 de dezembro de 1999.
Parágrafo único. O adicional a que se refere este artigo aplica-se, inclusive, na hipótese do pagamento mensal por estimativa previsto no art. 30 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem assim às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado.
Art. 7º
Art. 7º A alíquota da CSLL, devida pelas pessoas jurídicas referidas no art. 1o, fica reduzida para oito por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 1999, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo anterior.
Art. 8º
Art. 8º As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas.
§ 1º A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998.
§ 2º A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.
§ 3º O direito à compensação de que trata o parágrafo anterior limita-se, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros.
Art. 9º
Art. 9º O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil.
Parágrafo único. Aplica-se à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.
Art. 10.
Art. 10. O art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos:
"§ 1º O disposto
neste artigo estende-se:
I - aos casos em que
a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal
Federal, em recurso extraordinário;
II - a contribuinte
ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria
tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;
III - aos processos
judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução
da Dívida Ativa da União.
§ 2º O pagamento na
forma do caput deste artigo aplica-se à exação relativa a fato gerador:
I - ocorrido a partir
da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal
Federal, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior;
II - ocorrido a
partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do
parágrafo anterior;
III - alcançado pelo
pedido, na hipótese do inciso III do parágrafo anterior.
§ 3º O pagamento
referido neste artigo:
I - importa em confissão
irretratável da dívida;
II - constitui
confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de
Processo Civil;
III - poderá ser
parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendo-se a
primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as
demais no último dia útil dos meses subseqüentes.
§ 4º As prestações
do parcelamento referido no parágrafo anterior serão acrescidas de juros
equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -
SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês
de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por
cento no mês do pagamento.
§ 5º Aplica-se o
disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do
Seguro Social - INSS." (NR)
Art. 11.
Art. 11. O prazo previsto no art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, fica prorrogado para o último dia útil do mês de fevereiro de 1999.
Parágrafo único. Relativamente às contribuições arrecadadas pelo INSS, o prazo a que se refere o caput fica prorrogado para o último dia útil do mês de abril de 1999.
Art. 12.
Art. 12. Fica suspensa, a partir de 1o de abril até 31 de dezembro de 1999, a aplicação da Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e para a Seguridade Social - COFINS, incidentes sobre o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
Art. 13.
Art. 13. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória no 1.807-4, de 20 de maio de 1999.
Art. 14.
Art. 14. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 15.
Art. 15. Ficam revogados o inciso II e o § 2o do art. 1o da Lei no 9.701, de 17 de novembro de 1998, e o art. 14 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999.
Brasília, 17 de junho de 1999; 178o da Independência e 111o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Waldeck Ornélas