LEI Nº 8.630 - DE 25 DE
FEVEREIRO DE 1993 - DOU DE 26/02/93
Alterado pela LEI Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 – DOU DE 6/9/2007
Alterada pela MP Nº 320, DE 24 DE AGOSTO DE 2006 - DOU DE
25/08/2006 (Vide)
Alterada pela LEI Nº 11.314
- DE 3 DE JULHO DE 2006 - DOU DE 04/07/2006
Dispõe
sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações
portuárias e dá outras providências. (LEI DOS PORTOS)
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte lei:
CAPÍTULO I
Da Exploração do
Porto e das Operações Portuárias
Art. 1° Cabe à União explorar, diretamente ou mediante concessão, o porto
organizado.
§
1° Para os efeitos desta lei, consideram-se:
Redação
anterior
I - Porto
organizado: o construído e aparelhado para atender às necessidades da navegação
e da movimentação e armazenagem de mercadorias, concedido ou explorado pela
União, cujo tráfego e operações portuárias estejam sob a jurisdição de uma
autoridade portuária;
II - Operação
portuária: a de movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou
provenientes de transporte aquaviário, realizada no porto organizado por
operadores portuários;
I - Porto Organizado:
o construído e aparelhado para atender às necessidades da navegação, da
movimentação de passageiros ou da movimentação e armazenagem de mercadorias,
concedido ou explorado pela União, cujo tráfego e operações portuárias estejam
sob a jurisdição de uma autoridade portuária; (Redação dada pela Lei nº 11.314 de 2006)
II - Operação
Portuária: a de movimentação de passageiros ou a de movimentação ou armazenagem
de mercadorias, destinados ou provenientes de transporte aquaviário, realizada
no porto organizado por operadores portuários; (Redação
dada pela Lei nº 11.314 de 2006)
III - Operador portuário: a pessoa jurídica pré-qualificada para a execução de
operação portuária na área do porto organizado;
IV - Área do porto organizado: a compreendida pelas instalações portuárias,
quais sejam, ancoradouros, docas, cais, pontes e piers de atracação e
acostagem, terrenos, armazéns, edificações e vias de circulação interna, bem
como pela infra-estrutura de proteção e acesso aquaviário ao porto tais como
guias-correntes, quebra-mares, eclusas, canais, bacias de evolução e áreas de
fundeio que devam ser mantidas pela Administração do Porto, referida na Seção
II do Capítulo VI desta lei.
Redação
anterior
V - Instalação
portuária de uso privativo: a explorada por pessoa jurídica de direito público
ou privado, dentro ou fora da área do porto, utilizada na movimentação e ou
armazenagem de mercadorias destinadas ou provenientes de transporte aquaviário .
V
- Instalação Portuária de Uso Privativo: a explorada por pessoa jurídica de
direito público ou privado, dentro ou fora da área do porto, utilizada na
movimentação de passageiros ou na movimentação ou armazenagem de mercadorias,
destinados ou provenientes de transporte aquaviário. (Redação
dada pela Lei nº 11.314 de 2006)
VI - Estação de Transbordo de
Cargas: a situada fora da área do porto, utilizada, exclusivamente, para
operação de transbordo de cargas, destinadas ou provenientes da navegação
interior; (Íncluido pela LEI
Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 – DOU DE 6/9/2007)
VII -
Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte: a destinada às operações
portuárias de movimentação de passageiros, de mercadorias ou ambas, destinados
ou provenientes do transporte de navegação interior.(Íncluido
pela LEI Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 –
DOU DE 6/9/2007)
§
2° A concessão do porto organizado será sempre precedida de licitação realizada
de acordo com a lei que regulamenta o regime de concessão e permissão de
serviços públicos.
Art. 2° A prestação de serviços por operadores portuários e a construção, total
ou parcial, conservação, reforma, ampliação, melhoramento e exploração de
instalações portuárias, dentro dos limites da área do porto organizado, serão
realizadas nos termos desta lei.
Art. 3° Exercem suas funções no porto organizado, de forma integrada e
harmônica, a Administração do Porto, denominada autoridade portuária, e as
autoridades aduaneira, marítima, sanitária, de saúde e de polícia marítima.
CAPÍTULO II
Das Instalações
Portuárias
Art. 4° Fica
assegurado ao interessado o direito de construir, reformar, ampliar, melhorar,
arrendar e explorar instalação portuária, dependendo: (Regulamento)
I - de contrato de
arrendamento, celebrado com a União no caso de exploração direta, ou com sua
concessionária, sempre através de licitação, quando localizada dentro dos
limites da área do porto organizado;
II - de autorização do órgão competente, quando se tratar de
Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte, de Estação de Transbordo de
Cargas ou de terminal de uso privativo, desde que fora da área do porto
organizado, ou quando o interessado for titular do domínio útil do terreno,
mesmo que situado dentro da área do porto organizado. .(Alterado
pela LEI Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 –
DOU DE 6/9/2007)
Redação anterior
II - de autorização
do ministério competente, quando se tratar de terminal de uso privativo, desde
que fora da área do porto organizado, ou quando o interessado for titular do
domínio útil do terreno, mesmo que situado dentro da área do porto organizado.
§
1° A celebração do contrato e a autorização a que se referem os incisos I e II
deste artigo devem ser precedidas de consulta à autoridade aduaneira e ao poder
público municipal e de aprovação do Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente
(Rima).
§
2° A exploração da instalação portuária de que trata este artigo far-se-á sob
uma das seguintes modalidades:
I
- uso público;
II - uso privativo:
a) exclusivo, para movimentação de carga própria;
b) misto, para movimentação
de carga própria e de terceiros.
c) de turismo, para movimentação de passageiros.
(Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
d) Estação
de Transbordo de Cargas. (Alterado pela LEI
Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 – DOU DE 6/9/2007)
§ 3º A exploração de
instalação portuária de uso público fica restrita à área do porto organizado ou
à área da Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte. (Alterado
pela LEI Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 –
DOU DE 6/9/2007)
Redação anterior
§ 3° A exploração
de instalação portuária de uso público fica restrita à área do porto
organizado.
§
4° São cláusulas essenciais no contrato a que se refere o inciso I do caput
deste artigo, as relativas:
I
- ao objeto, à área de prestação do serviço e ao prazo;
II - ao modo, forma e condições da exploração do serviço, com a indicação,
quando for o caso, de padrões de qualidade e de metas e prazos para o seu
aperfeiçoamento;
III - aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da
qualidade do serviço;
IV - ao valor do contrato, nele compreendida a remuneração pelo uso da
infra-estrutura a ser utilizada ou posta à disposição da referida instalação,
inclusive a de proteção e acesso aquaviário;
V
- à obrigação de execução das obras de construção, reforma, ampliação e
melhoramento, com a fixação dos respectivos cronogramas de execução físico e
financeiro;
VI - aos direitos e deveres dos usuários, com as obrigações correlatas do
contratado e as sanções respectivas;
VII - à reversão de bens aplicados no serviço;
VIII - aos direitos, garantias e obrigações do contratante e do contratado,
inclusive, quando for o caso, os relacionados com as previsíveis necessidades
de futuras suplementações, alterações e expansões do serviço e conseqüente
modernização, aperfeiçoamento e ampliação das instalações;
IX - à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos e dos métodos e
práticas de execução dos serviços;
X
- às garantias para adequada execução do contrato;
XI - ao início, término e, se for o caso, às condições de prorrogação do
contrato, que poderá ser feita uma única vez, por prazo máximo igual ao
originalmente contratado, desde que prevista no edital de licitação e que o
prazo total, incluído o da prorrogação, não exceda a cinqüenta anos;
XII - à responsabilidade do titular da instalação portuária pela inexecução ou
deficiente execução dos serviços;
XIII - às hipóteses de extinção do contrato;
XIV - à obrigatoriedade de prestação de informações de interesse da
Administração do Porto e das demais autoridades no porto, inclusive as de
interesse específico da Defesa Nacional, para efeitos de mobilização;
XV - à adoção e ao cumprimento das medidas necessárias à fiscalização aduaneira
de mercadorias, veículos e pessoas;
XVI - ao acesso, pelas autoridades do porto, às instalações portuárias;
XVII - às penalidades contratuais e sua forma de aplicação;
XVIII - ao foro.
§
5° O disposto no inciso VI do parágrafo anterior somente se aplica aos
contratos para exploração de instalação portuária de uso público.
§
6° Os investimentos realizados pela arrendatária de instalação portuária
localizada em terreno da União localizado na área do porto organizado
reverterão à União, observado o disposto na lei que regulamenta o regime de
concessão e permissão de serviços públicos.
§ 7º As autorizações de exploração
de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte somente serão concedidas
aos Estados ou Municípios, os quais poderão, com prévia autorização do órgão
competente e mediante licitação, transferir a atividade para a iniciativa
privada. Ìncluido pela LEI Nº 11.518 - DE 5 DE SETEMBRO DE 2007 – DOU DE 6/9/2007)
Art. 5° O interessado na construção e exploração de instalação portuária dentro
dos limites da área do porto organizado deve requerer à Administração do Porto
a abertura da respectiva licitação.
§
1° Indeferido o requerimento a que se refere o caput deste artigo cabe recurso,
no prazo de quinze dias, ao Conselho de Autoridade Portuária de que trata a
Seção I do Capítulo VI desta lei.
§ 2° Mantido o
indeferimento cabe recurso, no prazo de quinze dias, ao ministério competente.
§
3° Na hipótese de o requerimento ou recurso não ser decidido nos prazos de
trinta dias e sessenta dias, respectivamente, fica facultado ao interessado, a
qualquer tempo, considerá-lo indeferido, para fins de apresentação do recurso a
que aludem os parágrafos anteriores.
Art. 6° Para os fins do disposto no inciso II do art. 4° desta lei,
considera-se autorização a delegação, por ato unilateral, feita pela União a
pessoa jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco.
§
1° A autorização de que trata este artigo será formalizada mediante contrato de
adesão, que conterá as cláusulas a que se referem os incisos I, II, III, V,
VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIS, XV, XVI, XVII e XVIII do § 4° do art. 4° desta
lei.
§
2° Os contratos para movimentação de cargas de terceiros reger-se-ão,
exclusivamente, pelas normas de direito privado, sem participação ou responsabilidade
do poder público.
§
3° As instalações de que trata o caput deste artigo ficarão sujeitas à
fiscalização das autoridades aduaneira, marítima, sanitária, de saúde e de
polícia marítima.
Art. 7° (Vetado)
CAPÍTULO III
Do Operador Portuário
Art. 8° Cabe aos operadores portuários a realização das operações portuárias
previstas nesta lei.
§
1° É dispensável a intervenção de operadores portuários nas operações
portuárias:
I
- que, por seus métodos de manipulação, suas características de automação ou
mecanização, não requeiram a utilização de mão-de-obra ou possam ser executadas
exclusivamente pela própria tripulação das embarcações;
II - de embarcações empregadas:
a) na execução de obras de serviços públicos nas vias aquáticas do País, seja
diretamente pelos poderes públicos, seja por intermédio de concessionários ou
empreiteiros;
b) no transporte de gêneros de pequena lavoura e da pesca, para abastecer
mercados de âmbito municipal;
c)
na navegação interior e auxiliar;
d) no transporte de mercadorias líquidas a granel;
e) no transporte de mercadorias sólidas a granel, quando a carga ou descarga
for feita por aparelhos mecânicos automáticos, salvo quanto aos serviços de rechego,
quando necessários;
III - relativas à movimentação de:
a) cargas em área sobre controle militar, quando realizadas por pessoal militar
ou vinculado à organização militar;
b) materiais pelos estaleiros de construção e reparação naval;
c) peças sobressalentes, material de bordo, mantimentos e abastecimento de
embarcações;
IV - relativas ao abastecimento de aguada, combustíveis e lubrificantes à
navegação.
§
2° Caso o interessado entenda necessário a utilização de mão-de-obra
complementar para execução das operações referidas no parágrafo anterior deve
requisitá-la ao órgão gestor de mão-de-obra .
Art. 9° A pré-qualificação do operador portuário será efetuada junto à
Administração do Porto, na forma de norma publicada pelo Conselho de Autoridade
Portuária com exigências claras e objetivas.
§
1° As normas de pré-qualificação referidas no caput deste artigo devem obedecer
aos princípios da legalidade, moralidade e igualdade de oportunidade.
§
2° A Administração do Porto terá trinta dias, contados do pedido do
interessado, para decidir.
§
3° Considera-se pré-qualificada como operador a Administração do Porto.
Art. 10. A atividade de operador portuário obedece às normas do regulamento do
porto.
Art. 11. O operador portuário responde perante:
I
- a Administração do Porto, pelos danos culposamente causados à
infra-estrutura, às instalações e ao equipamento de que a mesma seja a titular
ou que, sendo de propriedade de terceiro, se encontre a seu serviço ou sob sua
guarda;
II - o proprietário ou consignatário da mercadoria, pelas perdas e danos que
ocorrerem durante as operações que realizar ou em decorrência delas;
III - o armador, pelas avarias provocadas na embarcação ou na mercadoria dada a
transporte;
IV - o trabalhador portuário, pela remuneração dos serviços prestados e
respectivos encargos;
V
- o órgão local de gestão de mão-de-obra do trabalho avulso, pelas
contribuições não recolhidas;
VI - os órgãos competentes, pelo recolhimento dos tributos incidentes sobre o
trabalho portuário avulso.
Art. 12. O operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira,
pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe
estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto
onde se acham depositadas ou devam transitar.
Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e o
artigo anterior desta lei estiverem em área controlada pela Administração do
Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de
exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto.
Art. 14. O disposto nos artigos anteriores não prejudica a aplicação das demais
normas legais referentes ao transporte marítimo, inclusive as decorrentes de
convenções internacionais ratificadas, enquanto vincularem internacionalmente a
República Federativa do Brasil.
Art. 15. O serviço de movimentação de carga a bordo da embarcação deve ser
executado de acordo com a instrução de seu comandante ou de seus prepostos, que
serão responsáveis pela arrumação ou retirada da carga no que se refere à segurança
da embarcação, quer no porto, quer em viagem.
Art. 16. O operador portuário é titular e responsável pela direção e
coordenação das operações portuárias que efetuar.
Art. 17. Fica permitido às cooperativas formadas por trabalhadores portuários
avulsos, registrados de acordo com esta lei, se estabelecerem como operadores
portuários para a exploração de instalações portuárias, dentro ou fora dos
limites da área do porto organizado.
CAPíTULO IV
Da Gestão de
Mão-de-Obra do Trabalho Portuário Avulso
Art. 18. Os operadores portuários, devem constituir, em cada porto organizado,
um órgão de gestão de mão-de-obra do trabalho portuário, tendo como finalidade:
I
- administrar o fornecimento da mão-de-obra do trabalhador portuário e do
trabalhador portuário-avulso;
II - manter, com exclusividade, o cadastro do trabalhador portuário e o
registro do trabalhador portuário avulso;
III - promover o treinamento e a habilitação profissional do trabalhador
portuário, inscrevendo-o no cadastro;
IV - selecionar e registrar o trabalhador portuário avulso;
V
- estabelecer o número de vagas, a forma e a periodicidade para acesso ao
registro do trabalhador portuário avulso;
VI - expedir os documentos de identificação do trabalhador portuário;
VII - arrecadar e repassar, aos respectivos beneficiários, os valores devidos
pelos operadores portuários, relativos à remuneração do trabalhador portuário
avulso e aos correspondentes encargos fiscais, sociais e previdenciários.
Parágrafo único. No caso de vir a ser celebrado contrato, acordo, ou convenção
coletiva de trabalho entre trabalhadores e tomadores de serviços, este
precederá o órgão gestor a que se refere o caput deste artigo e dispensará a
sua intervenção nas relações entre capital e trabalho no porto.
Art. 19. Compete ao órgão de gestão de mão-de-obra do trabalho portuário
avulso:
I
- aplicar, quando couber, normas disciplinares previstas em lei, contrato,
convenção ou acordo coletivo de trabalho, no caso de transgressão disciplinar,
as seguintes penalidades:
a) repreensão verbal ou por escrito;
b) suspensão do registro pelo período de dez a trinta dias;
c) cancelamento do registro;
II - promover a formação profissional e o treinamento multifuncional do
trabalhador portuário, bem assim programas de realocação e de incentivo ao
cancelamento do registro e de antecipação de aposentadoria;
III - arrecadar e repassar, aos respectivos beneficiários, contribuições
destinadas a incentivar o cancelamento do registro e a aposentadoria
voluntária;
IV - arrecadar as contribuições destinadas ao custeio do órgão;
V
- zelar pelas normas de saúde, higiene e segurança no trabalho portuário
avulso;
VI - submeter à Administração do Porto e ao respectivo Conselho de Autoridade
Portuária propostas que visem à melhoria da operação portuária e à valorização
econômica do porto.
§
1° O órgão não responde pelos prejuízos causados pelos trabalhadores portuários
avulsos aos tomadores dos seus serviços ou a terceiros.
§
2º O órgão responde, solidariamente com os operadores portuários, pela
remuneração devida ao trabalhador portuário avulso .
§
3º O órgão pode exigir dos operadores portuários, para atender a requisição de
trabalhadores portuários avulsos, prévia garantia dos respectivos pagamentos.
Art. 20. O exercício das atribuições previstas nos arts. 18 e 19 desta lei,
pelo órgão de gestão de mão-de-obra do trabalho portuário avulso, não implica
vínculo empregatício com trabalhador portuário avulso.
Art. 21. O órgão de gestão de mão-de-obra pode ceder trabalhador portuário
avulso em caráter permanente, ao operador portuário.
Art. 22. A gestão da mão-de-obra do trabalho portuário avulso deve observar as
normas do contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Art. 23. Deve ser constituída, no âmbito do órgão de gestão de mão-de-obra,
Comissão Paritária para solucionar litígios decorrentes da aplicação das normas
a que se referem os arts. 18, 19 e 21 desta lei.
§
1° Em caso de impasse, as partes devem recorrer à arbitragem de ofertas finais.
§
2° Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência de qualquer
das partes.
§
3° Os árbitros devem ser escolhidos de comum acordo entre as partes e o laudo
arbitral proferido para solução da pendência possui força normativa,
independentemente de homologação judicial.
Art. 24. O órgão de gestão de mão-de-obra terá, obrigatoriamente, um Conselho
de Supervisão e uma Diretoria Executiva.
§
1° O Conselho de Supervisão será composto por três membros titulares e
respectivos suplentes, sendo cada um dos seus membros e respectivos suplentes
indicados por cada um dos blocos a que se referem os incisos II a IV do art. 31
desta lei, e terá por competência:
I
- deliberar sobre a matéria contida no inciso V do art. 18 desta lei;
II - baixar as normas a que se refere o art. 28 desta lei;
III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros
e papéis do organismo, solicitar informações sobre quaisquer atos praticados
pelos diretores ou seus prepostos.
§
2° A Diretoria Executiva será composta por um ou mais diretores, designados e
destituíveis, a qualquer tempo, pelo bloco dos prestadores de serviços
portuários a que se refere o inciso II do art. 31 desta lei, cujo prazo de
gestão não será superior a três anos, permitida a redesignação.
§
3° Os membros do Conselho de Supervisão, até o máximo de 1/3 (um terço),
poderão ser designados para cargos de diretores.
§
4° No silêncio do estatuto ou contrato social, competirá a qualquer diretor a
representação do organismo e a prática dos atos necessários ao seu
funcionamento regular.
Art. 25. O órgão de gestão de mão-de-obra é reputado de utilidade pública e não
pode ter fins lucrativos, sendo-lhe vedada a prestação de serviços a terceiros
ou o exercício de qualquer atividade não vinculada à gestão de mão-de-obra.
CAPíTULO V
Do Trabalho
Portuário
Art. 26. O trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto
de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será
realizado por trabalhadores portuários com vínculo empregatício a prazo
indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos.
Parágrafo único. A contratação de trabalhadores portuários de estiva,
conferência de carga, conserto de carga e vigilância de embarcações com vínculo
empregatício a prazo indeterminado será feita, exclusivamente, dentre os
trabalhadores portuários avulsos registrados.
Art. 27. O órgão de gestão de mão-de-obra:
I
- organizará e manterá cadastro de trabalhadores portuários habilitados ao
desempenho das atividades referidas no artigo anterior;
II - organizará e manterá o registro dos trabalhadores portuários avulsos.
§
1° A inscrição no cadastro do trabalhador portuário dependerá, exclusivamente,
de prévia habilitação profissional do trabalhador interessado, mediante
treinamento realizado em entidade indicada pelo órgão de gestão de mão-de-obra.
§
2° O ingresso no registro do trabalhador portuário avulso depende de prévia
seleção e respectiva inscrição no cadastro de que trata o inciso I deste
artigo, obedecidas a disponibilidade de vagas e a ordem cronológica de
inscrição no cadastro.
§
3° A inscrição no cadastro e o registro do trabalhador portuário extingue-se
por morte, aposentadoria ou cancelamento.
Art. 28. A seleção e o registro do trabalhador portuário avulso serão feitos
pelo órgão de gestão de mão-de-obra avulsa, de acordo com as normas que forem
estabelecidas em contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Art. 29. A remuneração, a definição das funções, a composição dos termos e as
demais condições do trabalho avulso serão objeto de negociação entre as
entidades representativas dos trabalhadores portuários avulsos e dos operadores
portuários.
CAPíTULO VI
Da Administração
do Porto Organizado
SEÇÃO I
Do Conselho de
Autoridade Portuária
Art. 30. Será instituído, em cada porto organizado ou no âmbito de cada
concessão, um Conselho de Autoridade Portuária.
§
1° Compete ao Conselho de Autoridade Portuária:
I
- baixar o regulamento de exploração;
II - homologar o horário de funcionamento do porto;
III - opinar sobre a proposta de orçamento do porto;
IV - promover a racionalização e a otimização do uso das instalações
portuárias;
V
- fomentar a ação industrial e comercial do porto;
VI - zelar pelo cumprimento das normas de defesa da concorrência;
VII
- desenvolver mecanismos para atração de cargas;
VIII - homologar os valores das tarifas portuárias;
IX - manifestar-se sobre os programas de obras, aquisições e melhoramentos da
infra-estrutura portuária;
X
- aprovar o plano de desenvolvimento e zoneamento do porto;
XI - promover estudos objetivando compatibilizar o plano de desenvolvimento do
porto com os programas federais, estaduais e municipais de transporte em suas
diversas modalidades;
XII - assegurar o cumprimento das normas de proteção ao meio ambiente;
XIII - estimular a competitividade;
XIV - indicar um membro da classe empresarial e outro da classe trabalhadora
para compor o conselho de administração ou órgão equivalente da concessionária
do porto, se entidade sob controle estatal;
XV - baixar seu regimento interno;
XVI - pronunciar-se sobre outros assuntos de interesse do porto.
§
2° Compete, ainda, ao Conselho de Autoridade Portuária estabelecer normas
visando o aumento da produtividade e a redução dos custos das operações
portuárias, especialmente as de contêineres e do sistema roll-on-roll-off.
§
3° O representante dos trabalhadores a que se refere o inciso XIV do § 1° deste
artigo será indicado pelo respectivo sindicato de trabalhadores em capatazia
com vínculo empregatício a prazo indeterminado.
Art. 31. O
Conselho de Autoridade Portuária será constituído pelos seguintes blocos de
membros titulares e respectivos suplentes:
I
- bloco do poder público, sendo:
a) um representante do Governo Federal, que será o Presidente do Conselho;
b) um representante do Estado onde se localiza o porto;
c) um representante dos Municípios onde se localiza o porto ou os portos
organizados abrangidos pela concessão;
II - bloco dos operadores portuários, sendo:
a) um representante da Administração do Porto;
b) um representante dos armadores;
c) um representante dos titulares de instalações portuárias privadas
localizadas dentro dos limites da área do porto;
d) um representante dos demais operadores portuários;
III - bloco da classe dos trabalhadores portuários, sendo:
a) dois representantes dos trabalhadores portuários avulsos;
b) dois representantes dos demais trabalhadores portuários;
IV - bloco dos usuários dos serviços portuários e afins, sendo:
a) dois representantes dos exportadores e importadores de mercadorias;
b) dois representantes dos proprietários e consignatários de mercadorias;
c) um representante dos terminais retroportuários.
§
1° Para os efeitos do disposto neste artigo, os membros do Conselho serão
indicados:
I
- pelo ministério competente, Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, no
caso do inciso I do caput deste artigo;
II - pelas entidades de classe das respectivas categorias profissionais e
econômicas, nos casos dos incisos II e III do caput deste artigo;
III - pela Associação de Comércio Exterior (AEB), no caso do inciso IV, alínea
a do caput deste artigo;
IV - pelas associações comerciais locais, no caso do inciso IV, alínea b do
caput deste artigo.
§
2° Os membros do conselho serão designados pelo ministério competente para um
mandato de dois anos, podendo ser reconduzidos por igual ou iguais períodos.
§
3° Os membros do conselho não serão remunerados, considerando-se de relevante
interesse público os serviços prestados.
§
4° As deliberações do conselho serão tomadas de acordo com as seguintes regras:
I
- cada bloco terá direito a um voto;
II - o presidente do conselho terá voto de qualidade.
§
5° As deliberações do conselho serão baixadas em ato do seu presidente
Art. 32. Os Conselhos de Autoridade Portuária (CAPs) instituirão Centros de
Treinamento Profissional destinados à formação e aperfeiçoamento de pessoal
para o desempenho de cargos e o exercício de funções e ocupações peculiares às
operações portuárias e suas atividades correlatas.
SEÇÃO II
Da Administração
do Porto Organizado
Art. 33. A Administração do Porto é exercida diretamente pela União ou pela
entidade concessionária do porto organizado.
§
1° Compete à Administração do Porto, dentro dos limites da área do porto:
I
- cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos do serviço e as cláusulas do
contrato de concessão;
II - assegurar, ao comércio e à navegação, o gozo das vantagens decorrentes do
melhoramento e aparelhamento do porto;
III - pré-qualificar os operadores portuários;
IV - fixar os valores e arrecadar a tarifa portuária;
V
- prestar apoio técnico e administrativo ao Conselho de Autoridade Portuária e
ao órgão de gestão de mão-de-obra;
VI - fiscalizar a execução ou executar as obras de construção, reforma,
ampliação, melhoramento e conservação das instalações portuárias, nelas
compreendida a infra-estrutura de proteção e de acesso aquaviário ao porto;
VII - fiscalizar as operações portuárias, zelando para que os serviços se
realizem com regularidade, eficiência, segurança e respeito ao meio ambiente;
VIII - adotar as medidas solicitadas pelas demais autoridades no porto, no
âmbito das respectivas competências;
IX - organizar e regulamentar a guarda portuária, a fim de prover a vigilância
e segurança do porto;
X
- promover a remoção de embarcações ou cascos de embarcações que possam
prejudicar a navegação das embarcações que acessam o porto;
XI - autorizar, previamente ouvidas as demais autoridades do porto, a entrada e
a saída, inclusive a atracação e desatracação, o fundeio e o tráfego de
embarcação na área do porto, bem assim a movimentação de carga da referida
embarcação, ressalvada a intervenção da autoridade marítima na movimentação
considerada prioritária em situações de assistência e salvamento de embarcação;
XII - suspender operações portuárias que prejudiquem o bom funcionamento do
porto, ressalvados os aspectos de interesse da autoridade marítima responsável
pela segurança do tráfego aquaviário;
XIII - lavrar autos de infração e instaurar processos administrativos,
aplicando as penalidades previstas em lei, ressalvados os aspectos legais de
competência da União, de forma supletiva, para os fatos que serão investigados
e julgados conjuntamente;
XIV - desincumbir-se dos trabalhos e exercer outras atribuições que lhes forem
cometidas pelo Conselho de Autoridade Portuária;
XV - estabelecer o horário de funcionamento no porto, bem como as jornadas de
trabalho no cais de uso público.
§
2° O disposto no inciso XI do parágrafo anterior não se aplica à embarcação
militar que não esteja praticando comércio.
§
3° A autoridade marítima responsável pela segurança do tráfego pode intervir
para assegurar ou garantir aos navios da Marinha do Brasil a prioridade para
atracação no porto.
§
4° Para efeito do disposto no inciso XI deste artigo, as autoridades no porto
devem criar mecanismo permanente de coordenação e integração das respectivas
funções, com a finalidade de agilizar a fiscalização e a liberação das pessoas,
embarcações e mercadorias.
§
5° Cabe à Administração do Porto, sob coordenação:
I
- da autoridade marítima:
a) estabelecer, manter e operar o balizamento do canal de acesso e da bacia de
evolução do porto;
b) delimitar as áreas de fundeadouro, de fundeio para carga e descarga, de
inspeção sanitária e de polícia marítima, bem assim as destinadas a plataformas
e demais embarcações especiais, navios de guerra e submarinos, navios em reparo
ou aguardando atracação e navios com cargas inflamáveis ou explosivas;
c)estabelecer e divulgar o calado máximo de operação dos navios, em função dos
levantamentos batimétricos efetuados sob sua responsabilidade;
d) estabelecer e divulgar o porte bruto máximo e as dimensões máximas dos
navios que irão trafegar, em função das limitações e características físicas do
cais do porto;
II - da autoridade aduaneira:
a) delimitar a área de alfandegamento do porto;
b) organizar e sinalizar os fluxos de mercadorias, veículos, unidades de cargas
e de pessoas, na área do porto.
Art. 34. É
facultado o arrendamento, pela Administração do Porto, sempre através de
licitação, de terrenos e instalações portuárias localizadas dentro da área do
porto, para utilização não afeta às operações portuárias, desde que previamente
consultada a administração aduaneira. (Regulamento)
SEÇÃO III
Da Administração
Aduaneira nos Portos Organizados
Art. 35. A administração aduaneira, nos portos organizados, será exercida nos
termos da legislação específica.
Parágrafo único. A entrada ou saída de mercadorias procedentes ou destinadas ao
exterior, somente poderá efetuar-se em portos ou terminais alfandegados.
Art. 36. Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio das repartições
aduaneiras:
I
- cumprir e fazer cumprir a legislação que regula a entrada, a permanência e a
saída de quaisquer bens ou mercadorias do País;
II - fiscalizar a entrada, a permanência, a movimentação e a saída de pessoas,
veículos, unidades de carga e mercadorias, sem prejuízo das atribuições das
outras autoridades no porto;
III - exercer a vigilância aduaneira e promover a repressão ao contrabando, ao
descaminho e ao tráfego de drogas, sem prejuízo das atribuições de outros
órgãos;
IV - arrecadar os tributos incidentes sobre o comércio exterior;
V
- proceder ao despacho aduaneiro na importação e na exportação;
VI - apurar responsabilidade tributária decorrente de avaria, quebra ou falta
de mercadorias, em volumes sujeitos a controle aduaneiro;
VII - proceder à apreensão de mercadoria em situação irregular, nos termos da
legislação fiscal aplicável;
VIII - autorizar a remoção de mercadorias da área do porto para outros locais,
alfandegados ou não, nos casos e na forma prevista na legislação aduaneira;
IX - administrar a aplicação, às mercadorias importadas ou a exportar, de
regimes suspensivos, exonerativos ou devolutivos de tributos;
X
- assegurar, no plano aduaneiro, o cumprimento de tratados, acordos ou
convenções internacionais;
XI - zelar pela observância da legislação aduaneira e pela defesa dos
interesses fazendários nacionais.
§
1° O alfandegamento de portos organizados, pátios, armazéns, terminais e outros
locais destinados à movimentação e armazenagem de mercadorias importadas ou
destinadas à exportação, será efetuado após o cumprimento dos requisitos
previstos na legislação específica.
§
2° No exercício de suas atribuições, a autoridade aduaneira terá livre acesso a
quaisquer dependências do porto e às embarcações atracadas ou não, bem como aos
locais onde se encontrem mercadorias procedentes do exterior ou a ele
destinadas, podendo, quando julgar necessário, requisitar papéis, livros e
outros documentos, inclusive, quando necessário, o apoio de força pública
federal, estadual ou municipal.
CAPÍTULO VII
Das Infrações e
Penalidades
Art. 37. Constitui infração toda a ação ou omissão, voluntária ou involuntária,
que importe:
I
- na realização de operações portuárias com infringência ao disposto nesta lei
ou com inobservância dos regulamentos do porto;
II - na recusa, por parte do órgão de gestão de mão-de-obra, da distribuição de
trabalhadores a qualquer operador portuário, de forma não justificada;
III - na utilização de terrenos, área, equipamentos e instalações localizadas
na área do porto, com desvio de finalidade ou com desrespeito à lei ou aos
regulamentos.
§
1° Os regulamentos do porto não poderão definir infração ou cominar penalidade
que não esteja autorizada ou prevista em lei.
§
2° Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, qualquer pessoa física ou
jurídica que, intervindo na operação portuária, concorra para a sua prática ou
dela se beneficie.
Art. 38. As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou
cumulativamente, de acordo com a gravidade da falta: