LEI Nº 7.492 - DE 16 DE JUNHO DE 1986 - DOU DE 18/6/86 –Lei do  Colarinho Branco

 

Define os crimes contra o sistema financeiro nacional, e dá outras providências

 

O Presidente da República.

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

 

 Art. 1º

Art. 1º Considera-se instituição financeira, para efeito desta Lei, a pessoa jurídica de direito público ou privado, que tenha como atividade principal a acessório, cumulativamente ou não, a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros (vetado) de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia, emissão , distribuição ,negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários.

 

Parágrafo único. Equipara-se à  instituição financeira:

 

I – pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou recursos de terceiros;

 

II – a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma eventual.

 

Dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional

 

 Art. 2º

Art. 2º  Imprimir, reproduzir ou, de qualquer modo, fabricar ou por em circulação, sem autorização escrita da sociedade emissora, certificado, cautela ou outro documento representativo de título ou valor mobiliário:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

 Art. 3º

Art. 3º  Divulgar informação falsa ou prejudicialmente incompleta sobre instituição financeira:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

 Art. 4º

Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição financeira:

 

Pena: reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Se a gestão é temerária:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

 

 Art. 5º

Art. 5º Apropriar-se, quaisquer das pessoas mencionadas no artigo 25 desta Lei, de dinheiro, título, valor ou qualquer outro bem móvel de que tem a posse, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Incorre na mesma pena qualquer das pessoas mencionadas no artigo 25 desta Lei, que negociar direito, título ou qualquer outro bem móvel ou imóvel de que tem a posse, sem autorização de quem de direito.

 

 Art. 6º

Art. 6º Induzir ou manter em erro, sócio, investidor ou repartição pública competente, relativamente à operação sou situação financeira, sonegando-lhe informação ou prestando-as falsamente:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

 Art. 7º

Art. 7º  Emitir, oferecer ou negociar, de qualquer modo, títulos ou valores mobiliários:

 

I – falsos ou falsificados:;

 

II – sem registro prévio de emissão junto à autoridade competente, em condições divergentes das constantes do registro ou irregularmente registrados;

 

III – sem lastro ou garantia suficientes, nos termos da legislação;

 

IV – sem autorização prévia da autoridade competente, quando legalmente exigida:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

 

 Art. 8º

Art. 8º  Exigir, em desacordo com a legislação (vetado) juro, comissão ou qualquer tipo de remuneração sobre operação de crédito ou de seguro, administração de fundo mútuo ou fiscal ou de consórcio, serviço de corretagem ou distribuição de títulos ou valores mobiliários:

 

 Art. 9º

Art. 9º  Fraudar a fiscalização ou o investidor, inserindo ou fazendo inserir, em documento comprobatório de investimento em títulos ou valores mobliários, declaração falsa ou diversa da que dele deveria constar:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

 

 Art. 10.

Art. 10. Fazer inserir elemento falso ou omitir elemento exigido pela legislação, em demonstrativos contábeis de instituição financeira, seguradora ou instituição integrante do sistema de distribuição de títulos de valores mobiliários:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

 

 Art. 11.

Art. 11. Manter ou movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

 

 Art. 12.

Art. 12. Deixar, o ex-administrador de instituição financeira, de apresentar, ao interventor, liquidante, ou síndico, nos prazos e condições estabelecidas em lei as Informações, declarações ou documentos de sua responsabilidade:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (cinco) anos, e multa.

 

 Art. 13.

Art. 13. Desviar (vetado) bem alcançado pela indisponibilidade legal resultante de intervenção, liquidação extrajudicial ou falência de instituição financeira:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Na mesma pena incorre o interventor, o liquidante ou o síndico que se apropriar de bem abrangido pelo “caput” deste artigo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio.

 

 Art. 14.

Art. 14. Apresentar, em liquidação extrajudicial, ou em falência de instituição financeira, declaração de crédito ou reclamação falsa, ou juntar a elas título falso ou simulado:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois)  a  8  (oito) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Na mesma pena incorre o ex-administrador ou falido que reconhecer, como verdadeiro, crédito que não o seja.

 

 Art. 15.

Art. 15. Manifestar-se falsamente o interventor, o liquidante ou o síndico, (vetado) a respeito de assunto relativo à intervenção, liquidação extrajudicial ou falência de instituição financeira:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

 

 Art. 16.

Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (vetado) falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio;

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 

 Art. 17.

Art. 17. Tomar ou receber, qualquer das pessoas mencionadas no artigo d 25 desta Lei, direta ou indiretamente, empréstimo ou adiantamento, ou deferi-lo a controlador, a administrador, a membro de conselho estatutário, aos respectivos cônjuges, aos ascendentes ou descendentes, a parentes na linha colateral até o segundo grau, consagüíneos ou afins, ou a sociedade cujo controle seja por ela exercido, indireta ou indiretamente, ou por qualquer dessas pessoas:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:

 

I – em nome próprio, como controlador ou na condição de administrador da sociedade, conceder ou receber adiantamento de honorários, remuneração, salário ou qualquer outro pagamento, nas condições referidas neste artigo;

 

II – de forma disfarçada, promover a distribuição ou receber lucros de instituição financeira.

 

 Art. 18.

Art. 18. Violar sigilo de operação ou de serviço prestado por instituição financeira ou integrante do sistema de distribuição de títulos mobiliários de que tenha conhecimento, em razão de ofício:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 

 Art. 19.

Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é cometido em detrimento de instituição financeira oficial ou por ela credenciada para o repasse de financiamento.

 

 Art. 20.

Art. 20. Aplicar, em finalidade diversa da prevista em lei ou contrato, recursos provenientes e financiamento concedido por instituição financeira oficial ou por instituição credenciada para repassá-lo:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

 Art. 21.

Art. 21. Atribuir-se, ou atribuir a terceiro, falsa identidade, para realização de operação de câmbio:

 

Pena: detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, para o mesmo fim, sonega informação que devia prestar ou presta informação falsa.

 

 Art. 22.

Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País:

 

Pena: reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

 

Parágrafo único. Incorre na mesma pena que, a qualquer título, promove, sem autorização legal , a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarado à repartição federal competente.

 

 Art. 23.

Art. 23. Omitir, retardar ou praticar, o funcionário público, contra disposição expressa de lei, ato de ofício necessário ao regular funcionamento de sistema financeiro nacional, bem como a preservação dos interesses e valores de ordem econômico-financeira:

 

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 

 Art. 24.

Art. 24. (Vetado).

 

Da Aplicação e do Procedimento Criminal

 

 Art. 25.

Art. 25. São penalmente responsáveis, nos termos desta Lei, o controlador e os administradores de instituição financeira, assim considerados os diretores, gerentes (vetado).

 

Parágrafo único. Equiparam-se aos administradores de instituição financeira (vetado) o interventor, o liquidante ou o síndico.

 

 Art. 26.

Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta Lei, será promovida pelo Ministério Público Federal, perante a Justiça Federal.

 

Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto no artigo 268 do Código de Processo Penal, aprovado Pelo Decreto-Lei nº 3.689 (1), de 3 de outubro de 1941, será admitida a assistência da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, quando o crime tiver sido praticado no âmbito de atividade sujeita à disciplina e à fiscalização dessa autarquia, e do Banco Central do Brasil quando, fora daquela hipótese, houver sido cometido na órbita de atividade sujeita à sua disciplina e fiscalização.

 

 Art. 27.

Art. 27. Quando a denúncia não for intentada no prazo legal, o ofendido poderá representar ao Procurador-Geral da República, para que este a ofereça, designe outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou determine o arquivamento das peças de informação recebidas.

 

 Art. 28.

Art. 28. Quando, no exercício de suas atribuições legais, o Banco Central do Brasil ou a Comissão de valores Mobiliários – CVM, verificar a ocorrência de crime previsto  nesta Lei, disso deverá informar ao Ministério Público Federal, enviando-lhe os documentos necessários para comprovação do fato.

 

Parágrafo único. A conduta de que rata este artigo será observada pelo interventor, liquidante ou síndico que, no curso de intervenção ,liquidação extra-judicial ou falência, verificar a ocorrência de crime de que trata esta Lei.

 

 Art. 29.

Art. 29. O órgão do Ministério Público Federal, sempre que julgar necessário, poderá requisitar, a qualquer autoridade, informação, documento ou diligência relativa à prova dos crimes previstos nesta Lei.

 

Parágrafo único. O sigilo dos serviços e operações financeiras não pode ser invocado como óbice ao atendimento da requisição prevista no “caput” deste artigo.

 

 Art. 30.

Art. 30. Sem prejuízo do disposto no artigo 312 do Código de Processo Penal, aprovado pelo Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, a prisão preventiva do acusado da prática de crime previsto nesta Lei poderá ser decretada em razão da magnitude da lesão causada (vetado).

 

 Art. 31.

Art. 31. Nos crimes previstos nesta Lei e punidos com pena de reclusão, o réu não poderá prestar fiança, nem apelar antes de ser recolhido à prisão, ainda que primário e de bons antecedentes, se estiver configurada situação que autoriza a prisão preventiva.

 

 Art. 32.

Art. 32. (Vetado).

 

§ 1º (Vetado).

 

§ 2º (Vetado).

 

§ 3º (Vetado).

 

 Art. 33.

Art. 33. Na fixação da pena de multa relativa aos crimes previstos nesta Lei, o limite a que ser refere o § 1º, do artigo 49, do Código Penal, aprovado pelo Decreto-Lei nº 2.848(2), de 7 de dezembro de 1940, pode ser estendido até o décuplo, se verificada a situação nele cogitada.]

 

 Art. 34.

Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

 

 Art. 35.

Art. 35. Revogam-se as disposições em contrário.

 

Brasília, 16 de junho de 1986; 165º da Independência 98º da República.

José Sarney – Presidente da República.

Paulo Brossard.